segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O 10

Num dia cinzento,
Um mortal corre à chuva feito um puto.
Atrás do seu sonho ia.
O seu cabelo já escorria água,
As suas mãos já começavam a esfriar,
As pernas transformavam-se num material pesado,
Mas seu coração nunca desistiu.
Decidido como estava nunca deu tréguas,
Acelerado ele estava,
Quente se tornava, dando forças ao puto.
Nos olhos do rapaz, projectava-se o seu desejo,
As suas mágoas escorriam-lhe em sangue.
Chegou ao local sagrado,
A espera tornava-se angustiante.
O coração começava a fracassar,
Espetando facadas em si próprio.
Á procura do desejado foi,
Encontrou.
As pernas que já estavam normais, tornam-se o maior problema,
Não se mexiam,
O seu olhar focava-se em cada traço daquele rosto sagrado.
Era tão criança, ele...nem sabia o que dizer,
E quando tentava dizer, tropeçava em todas a letras que soletrava.
Levou o seu sonho para fora daquele local quadrado e monótono,
Para um sítio onde se ouviam os pássaros,
As crianças a baloiçar,
Os cães a correr pela a liberdade,
Tudo calmo era.
Sentou-se ao lado da confiança
E a vergonha instalou-se.
Falou, e falou pra descontrair.
Ao levantar-se o beijo foi-lhe negado,
Seu coração caiu e partiu-se em bocados.
Faltou as lágrimas escorrerem no seu rosto,
Vontade de virar a página e sair dali a correr, aparecia.
Eu era um mero espectador a ver a peça que eles estavam a representar
E até a mim me deu vontade de fugir.
O puto em silêncio ficou por vários minutos,
Até que decidiu pegar novamente na sua vida
E descer aquela rua sem fim.
No meio de comparações dizia o que sentia,
Até que chegou a um ponto que se calou.
As mãos de ambos se uniram,
Parecia um daqueles filmes que tudo acaba bem, mas ...
Mas na despedida,
Levou um tiro pelas as costas.
Não se ajoelhou na frente do sonho,
Virou-se, foi-se embora e aí é que encontrou a angústia,
A saliva custava a engolir.
Sendo eu um adepto,
Será que aquilo que assisti não era o meu presente?

by:nandooooo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Solidão !

As teclas do piano,
Retratam a tristeza dos meus olhos.
Acabo solitário na vida,
Tal e qual um pai sem os seus filhos.
A cada batida da música pouco alegre,
É cravado um punhal de cristal no meu coração !
Falo com um feiticeiro,
Proclamo o nome de um Deus qualquer,
Mas em vão.
Fizeste chequemate no meu xadrez,
Aniquilas-te a minha personagem do jogo virtual.
Fico sozinho no meio do campo de confronto,
Tal e qual um soldado.
Derrama sangue pelo o seu país,
Minha alma chora pelo o teu sorriso.
Sento-me num quarto obscuro,
Com uma única luz iluminando as minhas mãos e o papel !
Quarto imundo e desgraçado,
Como o meu rosto inanimado,
Por onde escorreu uma vida.
O rádio que torna a ligar-se sozinho,
As metáforas das ondas sonoras,
Torna o meu caminho em personificações ... sem ti !
E esta sátira rotina,
Com a sociedade retrógeda,
Lidera !


by:nandooooo.